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25 de agosto de 2011

Filhos e as Oportunidades Perdidas.

Como é triste ver um filho se negar a estudar. Tristeza infinita.
Não é triste apenas porque não cumpre seu único dever na vida, mas porque a falta de ou a má formação escolar determina o fracasso de uma pessoa no mundo competitivo em que vivemos. Se não faz um excelente segundo grau jamais conseguirá vaga em uma boa universidade; sem uma boa faculdade não conseguirá um bom emprego... e então é toda a vida futura que está comprometida.
A Tóia caminha a passos largos para a segunda reprovação. E não há conversa, psicólogos, castigos, brigas suficientes para mostrar que está jogando sua vida fora. Além dos castigos normais, como não sair e não ganhar presentes, o ano passado ela não fez a viagem de 15 anos com a qual sonhou a vida toda. As amigas foram, ela não. Este ano resolvi que levaria as crianças para os EUA no próximo janeiro, desde que passem de ano... Adiantou a promessa de uma grande viagem? Não.
Eu fico triste em vê-la em casa, sem aproveitar as coisas normais de adolescente, sem ir em festas, shows... mas se ela não cumpre a única obrigação que tem na vida, como poderia receber algum prêmio? Porque para mim, é preciso merecer a diversão, o presente. Não nascemos com direito aos bônus, precisamos merecê-los, conquistá-los. A vida é assim, porque deveríamos ser diferentes na educação dos filhos?
Mas nada a move, nada a faz acreditar que a vida dela depende do seu estudo.
Infelizmente, hoje não podemos mais ter aquela visão romântica de que a pessoa inteligente e com talento achará seu caminho. Hoje, mesmo para você ter uma profissão que dependa apenas da sua criatividade, é preciso ter educação formal sólida, caso contrário não tem emprego.
Eu me preocupo e muito, porque não vou viver para sempre, porque não posso lhe dar um emprego (sou funcionária pública), porque não ganho o suficiente para abrir um negócio para ela ou ajudá-la o resto da vida. Então, o futuro dela só depende daquilo que ela fizer hoje!
Eu converso, converso, converso... mas nada a faz compreender a realidade em que vivemos.
Acho que muito disso vem da cultura brasileira do menor esforço. Nosso sistema de ensino (mesmo particular) é um fracasso, os valores da nossa sociedade são podres, é um vale tudo onde vence o mais esperto...
Mas o mundo mudou e parece que ainda não enxergamos isso. Então quando as grandes multinacionais trazem de fora os seus funcionários mais gabaritados, os brasileiros ficam ofendidos... mas como contratar em um país com tão precária formação? Precisamos acordar para a realidade e ver que europeus e asiáticos, por tradição e cultura, estudam muito mais do que nós e ocuparão nossos lugares. O mundo não tem fronteiras e tanto faz, para a empresa, contratar um indiano, japonês, espanhol ou brasileiro, leva o melhor preparado. E este definitivamente não somos nós.
Mas há algo de bom em nosso país, o acesso das classes menos favorecidas à educação, que é um fenômeno recente, começou no governo do FHC e se consolidou com o Lula. O fato é que estes jovens já perceberam que o estudo pode mudar a realidade e estão estudando muito... e ocupando cada vez mais o espaço que antes era privilégio de uma casta. Até um tempo atrás, o filhinho de papai teria emprego garantido (com bom salário) na empresa do pai ou do tio. Hoje o pai vai contratar um profissional competente, porque não há lugar para amadores. Até pouco tempo atrás, o filho vadio poderia se encostar no serviço público, hoje precisa passar por concurso com 2000 candidatos por vaga...
Eu sou uma entusiasta da meritocracia, acho maravilhoso ver a mobilidade social que o estudo causa.
O filho do porteiro e da faxineira pode mudar sua vida, e de sua família, se realmente estudar e se dedicar. No segundo grau ele já tem um emprego. Na faculdade (ainda que seja mediana) ele já encontrou um trabalho melhor do que os outros, porque tem experiência de vida, é responsável, dedicado, sabe como funciona o mundo. Ele continuará estudando, se dedicando, fará uma pós, um curso, ganhará uma bolsa. E assim, por seus MÉRITOS vai pouco a pouco garantindo seu espaço e salários melhores. Aos 25 irá ocupar o emprego que antes era exclusividade dos privilegiados. E estes? Ficarão olhando em volta sem saber o que aconteceu de errado...
E os filhos da classe média alta? Vão da escola para o cursinho de inglês... acreditam que terão o mesmo padrão de vida dos seus pais por direito, por herança... ledo engano, serão passados para trás por aqueles que descobriram cedo que não dá para ficar de bobeira no shopping.
É assim em todos os lugares do mundo e não há como mudar esta realidade, melhor se preparar para ela.
Por isso, minha tristeza imensa com minha filha, que tem todas as chances de ter sucesso e as desperdiça. Poderia ser qualquer coisa que quisesse na vida, qualquer coisa, porque é inteligente e capaz. Mas nada a faz sair da inércia em que vive. Nada. 
Sei do que estou falando, porque sou fruto da mobilidade social. Eu sou filha da classe média baixa, meus pais fizeram um esforço imenso para que pudesse estudar em escolas particulares. Eu aproveitei, passei na UFPR... dois anos depois prestei novo vestibular, passei na PUC, com dificuldade meus pais pagaram as mensalidades. Sempre fui CDF, sempre fui boa aluna. Sempre dei valor às chances que tive. Me formei e três anos depois (com uma filha pequena) já tinha passado no concurso público e era juíza de direito.
Sei que tudo é possível para quem se dedica com seriedade e responsabildiade aos estudos. Tudo é possível.

Gostaria que minha filha percebesse que poderia ganhar o mundo com seu esforço, aproveitando cada oprotunidade... ela poderia ser o que quisesse, qualquer coisa, em qualquer lugar... mas não consegui mostrar isso a ela...  e este é o meu fracasso, minha tristeza.
Uma tristeza profunda.

Vamos desabafar minha gente! Adoro ler os comentários e a história de cada uma de vocês! É tão bacana... e esta conversa ainda não terminou, bora falar!

8 de fevereiro de 2011

Como é Difícil ser Mãe

Passei esta noite sem dormir, para não mentir, dormi apenas 3 horas... o motivo? pensando se escolhi a escola certa para a Bea...
Ontem foi o primeiro dia de aula, ela está super animada, fez amizades e voltou contando muitas coisas da escola nova. Está super empolgada e feliz. Uma das qualidades que mais admiro na escola em que ela está é a capacidade de fazer os alunos terem orgulho e amor pela escola, isso não é de hoje, sempre foi assim.
Então porque a ansiedade? Eu deveria estar lépida e faceira, afinal de contas ela esta em uma das melhores escolas da cidade, em um lugar maravilhoso, cercada de verde por todos os lados. 
Pois é, mas não estou tranquila. 
Chegou a agenda com os horários de aulas, e são tantas aulas! Tantas horas em sala de aula! Ela estuda em período semi-integral, ou seja, vai de manhã e à tarde nas 2as, 4as e 6as, terças e quintas vai apenas à tarde. 
E esta carga me deixou insegura acerca da minha escolha...
Daí penso no livro da chinesa Amy Chua que chocou o mundo ao relatar seu método oriental de educar as filhas. Para nós, ocidentais, seu relato pode parecer, em uma leitura apressada, pura tortura e violência. Mas é preciso parar para refletir um momento: será que nossa indulgência, para não dizer indiferença, ocidental não acarreta males ainda maiores aos filhos? 
O livro só será publicado por aqui no segundo semestre, mas li suas entrevistas e seus artigos, e acabei por entender que ao menos em um ponto ela tem razão: exigir a perfeição é acreditar na potencialidade dos filhos. Ela está corretíssima quando diz que o pior que podemos fazer é deixá-los desistir. Desistir de uma tarefa, porque não consegue fazê-la, é o mesmo que dizer: sim, eu concordo, você é incapaz!
Se estamos diante de uma criança com plena capacidade cognitiva por que não exigir dela o melhor? Por que não ensiná-la a superar suas limitações? Por que não educá-la para ser capaz de enfrentar com coragem os desafios da vida?
É a própria Amy que nos dá a resposta, pais orientais têm disposição para dedicar horas e horas de seu tempo aos estudos de seus filhos, ao passo que nós nos acomodamos e delegamos esta tarefa integralmente à escola. No máximo auxiliamos no dever de casa e mesmo assim, nos intervalos da novela. 
É muito simples ser indulgente, é fácil e cômodo. Não dá trabalho e não gera conflitos familiares. Muito mais simples contratar um professor particular  e não se preocupar com o assunto.
Bem educar dá muito trabalho, demais eu diria. Mas esta não é a obrigação primeira de quem tem filhos?
Tenho pensado muito a respeito. Aliás, nos últimos 6 meses é apenas isso que faço. Minhas aflições só pioraram com a reprovação da Tóia e as dificuldades de aprendizado da Bea. 
Sou uma mãe exigente, sempre fui. Mas acho que me dediquei menos do que deveria. Por vários motivos negligenciei a educação da Tóia, que não mora comigo todo o tempo.  E não quero repetir os mesmos erros com a Bea. Não quero delegar, não vou negligenciar, não vou permitir que ela desista.
O bom da reprovação da Tóia foi que ela percebeu que poderia ser diferente e está tendo uma chance de recomeçar, em outros termos, com outros objetivos. O grande sonho de sua vida é estudar nos EUA. Se ela tem plenas condições de realizar este sonho, porque desperdiçar seu tempo com o que não é importante? Porque não canalizar suas energias para atingir seu objetivo? A vida é boa, mas é muito melhor quando somos vitoriosos.  
Bem educar é cansativo, cansativo demais eu diria. Para nós e para as crianças. Mas é nosso dever.
Com isso não quero dizer que concordo 100% com Amy, mas ela tem razão em grande parte do que diz e deveríamos aprender com ela o valor da disciplina, da dedicação e da excelência.
Mas eu não tenho as certezas de uma mãe chinesa. Sou ocidental, fruto de nossa sociedade e sou insegura quanto às minhas escolhas... que muitas vezes parecem ser severas demais aos olhos dos outros.
Mas se a vida é difícil, porque não dar aos filhos os instrumentos para atingir o sucesso. Não estou falando apenas de sucesso financeiro, mas sim pessoal. Pouco importa sua profissão e seu salário, mas tenho certeza que ser um fracasso não traz felicidade para ninguém e o dinheiro não é a única medida do sucesso.
Ainda que as meninas escolham profissões que não tragam retorno financeiro (e existem várias) e espero que elas sejam bem sucedidas e tenham reconhecimento de suas capacidades, porque sem isso é impossível ser feliz na vida...
Estas linhas são apenas reflexões, sem qualquer tipo de conclusão...
e vocês, o que pensam a respeito?

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